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 Maristel Dias dos Santos

 

            Tudo para mim, neste momento, me parece totalmente despido de qualquer necessidade, mínimo desejo, menor interesse.

            Nada nem ninguém desperta  a vontade de agir, realizar, conhecer ou sonhar.

            Este desligamento em vida da vida é como se fosse uma doce conformação. Não de uma derrota, mas da confirmação de ver todos os deveres cumpridos e a constatação de que tudo está feito, que nada mais resta a fazer ou realizar.

            Dizer que isso é depressão? Não, não me sinto deprimida, nem triste, nem abandonada. Na verdade não sinto falta de nada. Nem mesmo do tempo. Tempo que não me serve pra nada, pois tudo está feito. A minha parte eu cumpri, realizei, completei. Deixo os afazeres dos outros aos que ainda têm trabalhos, desejos, ambições, projetos, sonhos não realizados.

            Não sei se o resultado desses sentimentos seja a aproximação da morte. Talvez não. Talvez apenas o desligamento completo das coisas terrenas. A confirmação da efemeridade da vida. Mas garanto que é com alívio que deponho o pesado fardo.

            Porém se adormecer e não mais despertar neste mesmo lugar onde agora me encontro, peço àqueles que terão o dever de dar um fim aos restos, que não tenham pressa. Que me permitam fazer a travessia direta do meu espaço para outros espaços.Se possível, não me fizessem usar o cemitério como estação de baldeação e que bom seria se este bota-fora se transformasse em uma festa de risos e não de lágrimas e que bom seria que acendessem uma pira no campo onde esta rude vestimenta carnal transformar-se-ia em fumaça para subir ao cosmos e carvão para enriquecer o solo.

Por último, chamem a Rosana, presidente da Sopral, que já me prometeu cuidar de meus bichos caso eu tenha de deixá-los e, por favor, não deixem cair no esquecimento tudo aquilo que escrevemos: eu e o Espírito Santo.       

Alcançar o Nirnava, última meta.

E agora, despeço-me de meus queridos leitores. Que Deus os guarde!

                      

 

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