Um
minuto de silêncio
MaristelDias
Quando
as torres gêmeas
do
Empire State foram atacadas e destruídas por alguns descerebrados,
ficamos todos muito chocados, mas foi quando, logo após, em uma certa comemoração
alguém pediu aquele habitual minuto de silêncio pelas vítimas do massacre,
que eu escrevi, sob pesquisa, na época do acontecimento trágico esta crônica.
É bem útil ser reeditada e relida agora que guerras polêmicas
transcorrem a todo vapor.
Foi
assim
Se
você ainda está chocado com as imagens da semana retrasada, aproveite para
fazer um minuto de silêncio em homenagem aos 10.000 (?) americanos, maioria
civis, inocentes mortos covardemente por terroristas que ainda não se sabe quem
são.
Já
que você está em silêncio, fique quieto mais treze minutos em homenagem aos
130.000 civis iraquianos mortos em 1991, por ordem do Bush Pai. Aproveite para
lembrar que naquela ocasião os americanos também fizeram festa, como os
palestinos fazem hoje.
Emende
mais 20 minutos pelos 200.000 iranianos mortos pelos iraquianos com armas e
dinheiro fornecidos a Sadam Hussein (ainda novinho na época) pelos mesmos
americanos que mais tarde virariam sua artilharia contra ele.
Mais
quinze minutos pelos russos e 150.000 afeganistãos mortos pelo Taliban, também
com armas e dinheiro americano. Mais dez minutos pelos 100.000 japoneses mortos
diretos indiretamente em Hiroshima e Nagasaki, também por ação direta da águia.
Você
já está em silêncio uma hora (um minuto pelos americanos e 59 por suas vítimas).
Se você ainda está perplexo, fique mais uma hora em silêncio pelos mortos na
guerra do Vietnã, da qual os
americanos não gostam de lembrar.
Tomara
(embora os índices de belicosidade dos americanos indiquem o contrário) que os
americanos comecem a entender que eles também são vulneráveis e que as tragédias
que eles provocam são tão bárbaras e covardes como as dos outros.
Os
mortos dos outros povos doem tanto quanto os deles.