Um presente para ti

 Maristel

 

Canto meus cantos que teus cantos são

A mim não me pertencem, pois a ti pertenço

Sonho meus sonhos que meus sonhos são

Nos desvarios de uma alucinação

 

Mas tua é a luz que me vem penetrar

Os recônditos do ser para  iluminar

E lembrar que já fui  dor

E hoje sou amor

Cada vez mais, por um sublime impôr,

Amo o amor  pelo seu esplendor

Que extasia o ser no íntimo da mágoa.

No íntimo mais íntimo do ser ou do não ser,

O amor começo a  amar

E a plenitude que eu desconhecia

Percorre-me as veias e deságua

Na profundeza do azul do mar

 

 Sem apegos  porque eu bem sei

Que tudo de melhor está a me aguardar

No alto da montanha e para lá chegar,

É só caso de tempo e de desvelo

Que não explica o próprio explicar

E desperta o frêmito  ao querê-lo,

Pois não domino e nem desejo ousar.

 

Deves saber que afinal sou nada,

Nada que possas querer ou resguardar

E a magia que queres é ilusionada.

Meus dons são apenas  palavras

E é esse o meu estigma...

Fazer da vida a  perfeita rima...

Falar, cantar, sofrer, morrer de amor...

Que esta é a minha eterna maldição!

Eu não sou eu e a ninguém pertenço.

Nos desertos da minha existência

Apenas a beleza leva-me pela mão.

                                                                março/2002