“Uma Ética para o Novo Milênio”  

by Maristel Dias

 

            É este o titulo de um livro que estou a ler, entre outros tão importantes quanto, presenteados pela minha filha primogênita que gosta de me dar livros, perfumes e até um gorducho edredom rosa. Ela sabe agradar à mãe! Abro uma caixa de livros como se abrisse um estojo de bombons. São todos para mim, mas qual saborear primeiro?

Voltando ao livro que estou lendo e deu título a esta coluna, é de autoria de Sua Santidade o Dalai Lama. Pensei, ao vê-lo, viesse recheado de ensinamentos budistas, porém quanto e felizmente me enganei. É um libelo, um manifesto, uma intimação para provocar uma revolução ética em busca da felicidade. Algumas palavras, literalmente fiéis de Sua Santidade: “cheguei à conclusão de que não importa muito se uma pessoa tem ou não uma crença religiosa. Muito mais importante é que seja uma boa pessoa”.

Este livro é da Editora Sextante e que bom todo mundo pudesse lê-lo!

A Praça é do Povo?

Só se for a Praça Castro Alves, lá da Bahia, porque aqui, não é não!

Meninos, eu vi! Fui lá à noite e conversei com aqueles cinco Homens que, na calçada, logo acima da praça que fica na Avenida Carlo Bonfanti, perto daquela igreja que corta florida árvore frutífera, e outras e fiquei sabendo que foram despejados da Praça. Estive lá com a ex-primeira dama, a querida Ivete que, aborrecidíssima, confidenciou-me: “no nosso tempo Homens não ficavam assim, nestas condições, em nossa cidade”.

            São catadores de papel, lemenses sem lar, sem eira nem beira, que para se aquecerem se envolvem em cachaça e velhos cobertores. Um deles estava bastante doente. Avisamos a Guarda para que o levasse ao Pronto Socorro. Logo o guarda Patrick disse que a guarda esteve lá e ele não quis ir. Um outro senhor idoso disse-me que vivem assim porque gostam de assim viver. São párias da sociedade que não confiam em mais ninguém, nem mesmo em si próprios. E nós, que fazemos? Aceitamos o livre arbítrio de quem já perdeu qualquer tipo de arbítrio ou tentamos fazer alguma coisa, talvez lhes dar alguma dignidade e amor próprio de modo a que possam voltar ao convívio social?  Quem é responsável pelos nossos conterrâneos, órfãos da sorte e vítimas do vício? Somos todos nós, por favor, SOS... SOS...SOS...