Valentim

 (por meu direito de resposta)

 

MARISTEL  DIAS


        

 

Aquele que tem a capacidade de se indignar, regra geral, tem também, na mesma medida, a capacidade de se enternecer. São pessoas passionais, apaixonadas que têm mais medo da omissão que do comodismo. Somos assim: eu, você, o Amauri, o Marco Aurélio, afinal, todas as pessoas que escolhem trabalhar em um meio de comunicação, principalmente no jornalismo. Temos mais medo da injustiça que da perseguição.

Mais medo da falsidade que de expor as próprias entranhas.

Mais medo da hipocrisia que de revelar os próprios erros.

Mais medo da mentira que da realidade, embora cruel.

Mais medo da ganância que da pobreza pessoal.

Mais medo da ignorância que da pseudo-intelectualidade.

Mais medo da adulação que da ofensa.

Mais medo da vida que da morte.

São pessoas que amam, que sonham, que acreditam em um mundo melhor. Em crianças saudáveis, em velhos felizes, em povo educado, em jovens promissores, em artistas reconhecidos, em políticos honestos. São pessoas que, a exemplo de Jesus, sabem usar um chicote para expulsar os vendilhões e, melhor ainda, abrir os braços para acolher as criancinhas.

         Pessoas que despertam nos outros sentimentos contraditórios de amor e ódio, mas nunca de indiferença.

         Pessoas que sofrem com a dor de seu semelhante, capazes de chorar com a dor de um desconhecido e de se alegrar com a felicidade do seu vizinho.

         Pessoas que não temem se expor à maledicência das línguas ferinas e invejosas, dos que, covardemente, se enclausuram em seus medíocres mundinhos e ficam a contabilizar seus lucros.

          Pessoas que, acima do bem e do mal, não se deixam afetar nem pelo elogio, nem pela pouco caso de outrem.

         Acredito em gente assim, adeptos da máxima frase de Che Guevara (?):

 “ Hay que endurecer, pero sin perdir la ternura jamás!”                       Em 28/02/2000