Venturas e aventuras na Internet

por Eder Gouveia

              Ahhhh, até hoje me lembro... Meu primeiro computador. Era meu sonho de consumo! Imaginava as mil e uma possibilidades que aquela máquina (que para mim ainda era um mistério), poderia me proporcionar, viajar todo o mundo sem sair de casa, jogar todos meus antigos jogos com uma simples emulação e aquilo que eu já imaginava ser meu preferido, salas de bate papo. Este sim seria meu maior passatempo, conhecer novas pessoas sem sair de casa...  e tinha certeza que minha expectativa seria recompensada.

            Já estava em minha casa o PC instalado, passava horas na frente dele fuçando, não tinha medo de explorá-lo, sabia que era assim que se aprendia e nos finais de semana, quando a conexão ficava mais em conta, era  a hora em que eu entrava nos chats. Era tudo uma maravilha, pessoas interessantes em um mundo onde não há preconceito de idade, cor ou credo, ninguém é discriminado, somos todos iguais e ao mesmo tempo podemos ser qualquer um, desde um monge budista que passa um  mês no Brasil de 10 em 10 anos e cujo mês é o único que pode  passar fora de sua cela, ou ser o presidente da república, dependendo, é claro, da imaginação ou da ingenuidade dos parceiros. Confesso até que este primeiro personagem me rendera muitas gargalhadas frente ao meu pc, mas tudo bem, vamos logo ao ponto.

            Eu era muito popular em todas as salas de todos os provedores que mantinham chats em Goiânia, talvez até hoje se você entrar em alguma sala de Goiânia ainda possa ouvir alguém, ou principalmente alguma mulher que suspire fundo quando se fala no Blackheart666, que era o meu apelido. Eu não fazia muito o tipo satanista, mas o Black representava minha própria personalidade, pensador rebelde e galanteador, desculpe o termo, mas tenho certeza que deixei muitas mulheres assanhadas e se retorcendo frente ao PC, apenas por uma frase bem empregada. Não é muito difícil fazer isso, afinal ela está a idealizar em você a imagem do homem perfeito e para o resto basta ter um bom papo.

            Não era muito de me encontrar com estas mulheres, porque todo mundo dizia que não se salvava nenhuma em questão de beleza e eu poderia me decepcionar com muitas delas. Afinal, eu também as idealizava. Mas foi com muita coragem que decidi fazer meu primeiro contato (oooops, devo ter me lembrado de algum filme de extraterrestre no momento... rs).Ela era a Gabriela, eu tinha 16 anos e ela 18, seria o ideal, adoro mulheres mais velhas, e esta me atraia muito porque dizia gostar das mesmas coisas que eu, então depois de algum tempo marcamos um encontro, mas ao finalizarmos alguns detalhes por telefone notei algo, e ao perguntar ela confirmou, “desculpe, eu gaguejo quando estou nervosa”, tudo bem, não seria isto que iria atrapalhar nosso encontro, marquei então de encontrá-la em um shopping de Goiânia, recebia até muitos conselhos de meus amigos. “Diga que irá com uma roupa e vá com outra, assim se ela for feia você pode simplesmente ignorar e voltar para casa”. Pensei nisso, mas... não, este tipo de coisa não! Seria uma afronta ao meu caráter. Disse que iria com uma certa roupa para facilitar a identificação e com ela fui.

1º tentativa

 

Cheguei uns 15 minutos adiantado, sentei no lugar combinado e passei a apreciar o ambiente ao redor, me sentia sobrando, todos estavam com um parceiro(a) e eu sozinho, mas tudo bem, pensei comigo, isto logo seria solucionado.Cinco minutos depois que eu cheguei a ansiedade já era o sentimento mais presente. Foi quando alguém toca meu ombro, era uma mão maior que a do meu pai (e olhe que o apelido do velho é Gordo), e estava acompanhada pela mesma voz gaga de mulher; dei então um “close no produto” e notei que seu corpo acompanhava  em forma a sinuosa circunferência de sua mão. Era uma mulher  2X2, fiquei meio assustado a princípio, mas tudo bem, nunca fui de julgar uma mulher pela aparência, entretanto a conversa dela foi se tornando cada vez mais assustadora. Por um instante fiquei realmente constrangido quando ela disse a seguinte “coisa”:  “hahaha, sabe de uma coisa, hahaha” e dizia com uma voz tão idiota “quando eu era uma criança, hahaha, eu jogava bolinha com meus irmãos e uma vez eu enfiei uma bolinha no nariz que só saiu com operação... hahaha”. Eu ri, e não foi do que ela falou, mas sim de mim, de minha absurda situação.

Resolvi então levá-la a um cinema do próprio shopping, talvez assim calasse a boca de minha acompanhante por uns instantes.

            O filme estava lindo, não me lembro agora o nome, mas era um romance com Antônio Bandeiras de Angelina Jolie, eu estava empolgado e pensei comigo: - Bem, já que estou aqui mesmo, ninguém vai me ver, gastei meu lindo dinheirinho (meu cavalheirismo tinha ido a toda neste dia, paguei a minha entrada e a dela, mesmo após ela oferecer que pagaria pelo menos a sua, mas pensei que se pagasse para outra, também deveria pagar para ela, afinal eu era  o seu homem naquele dia, seu acompanhante), foi então que olhei para ela, passei minha mão em volta de seu avantajado corpo e fiz que ia beijá-la, ao que fui interrompido pela mesma, quando abriu sua bolsa, e de lá tirou uma caixa de chocolate e perguntou se eu preferia “sonho de valsa” ou “diamante negro”, só me restou rir de minha situação e peguei então um dos chocolates, (malditos chocolates) e disse que tinha de ir comprar algo para comer  e saí do cinema. Tinha chegado ao meu limite, não podia mais suportar nada e quando estava prestes a sair do shopping, que voz eu ouço a me chamar ?

        Isso mesmo, era a “minha garota”, chegou e perguntou se havia feito algo, se havia me decepcionado.  Meu humanismo despertou e ainda quis  dizer algo que a deixasse satisfeita. Falei que tinha mesmo que ir embora pois estava chovendo. – Chovendo como? Ao chegarmos aqui estava um sol  e um calor infernal!   E eu respondi que havia visto na previsão do tempo que choveria, que estaria chovendo naquele horário, pelo menos era o que eu ansiosamente esperava estivesse acontecendo. Então ela disse que pelo menos eu deveria conhecer a família dela que estava  no shopping, disse que iria apresentar seu lindo namorado. - Família, lindo namorado – pensei comigo, só podia estar sonhando, ou melhor, estava tendo o pior pesadelo de minha vida. Respondi que não, que estava com pressa, que tinha mesmo de ir embora naquele momento e ela  que  me acompanharia até a saída, e assim fez e, para minha sorte, estava mesmo chovendo. Ela ainda tentou me acompanhar, mas eu a impedi dizendo que preferiria vê-la molhada de outra maneira... Como fui mau, ainda dei esta ponta de esperança. Ela falou que me ligaria e eu fiz a contraproposta, disse que eu faria a próxima ligação, que por sinal nunca aconteceu.  Tentou falar comigo 2 ou 3 vezes ligando em casa, mas eu nunca estava (ou pelo menos era isso que ela pensava com as repostas que meu cúmplice e irmão dava a ela quando atendia) e depois disso nunca mais a vi, mas com certeza terminaria por aí minhas cyber  aventuras.

2ºtentativa

          

            

             Não passou muito tempo depois de minha primeira experiência e ao contrário de ficar com trauma de encontros com pessoas conhecidas da internet, eu ficava mais e mais decidido a encontrar alguém legal. Esta vez não foi tão marcante e nem tão aterrorizante, mas vale a pena lembrar.

            Chamava-se Gabriela. Eu a conheci no mirc e marquei um encontro com ela, mas seria uma de suas amigas que me levaria à sua casa, a Thaís e ao telefone ela disse que a garota era um pouco baixa e fofinha. Isto já me deixou meio cabreiro, mas tudo bem, não era ela mesmo meu alvo. Cheguei então ao lugar combinado e de lá saímos para a casa da Gabriela. Vejo então vindo correndo, isso mesmo, correndo, quase rolando em minha direção a baixinha gordinha que se era uma garota de 1X1 que mais parecia uma alpinista de meio-fio. Chegou, me cumprimentou, deu os 3 beijinhos e fomos rumo a casa da Gabriela. Thaís dizia que eu era um sortudo por estar a paquerar a Gabriela, pois ela era uma moça muito linda e concorrida por todos do condomínio onde ela morava.

            Fiquei animado então, teria eu dado o bote certeiro? Isso eu descobriria logo

            Ao  chegar em sua casa e ver nossa anfitriã, tão grande foi minha surpresa que até passei as mãos nos olhos para ver se era verdade, mas não foi a uma garota que seria concorrida por todos que eu encontrei, muito pelo contrário, esta era o oposto de sua amiga, tinha 2 X 0,3. Lembrei-me até de Rapunzel no momento, pensei que se quisesse um beijo daquela mulher teria que subir em suas lindas tranças até meu destino, lindas tranças, ah sim, acho que não passava mesmo de um pesadelo, seu cabelo era bem curto, e acho que se pegasse para lavar panelas, levaria à falência as empresas Bombril e Assolan, seu rosto poderia ser usado para ralar milho, sairiam ótimas pamonhas, ou quem sabe  passar como aberração em uma circo, um abacaxi human  em conjunto, seu rosto e seu cabelo  e ...mais. Quando se sentava parecia que era sobre as costas. Ela não tinha muita bunda, sabe...

            Tudo bem, não ficaria mais nenhum minuto ali, chega de experiências e de bancar o bonzinho, acho que eu sou mais materialista do que pensava. Tudo bem... Assumiria isto. Pelo menos é melhor que assumir aquela mulher como minha garota. Despedi-me das “musas” e saí o mais depressa dali sem nenhuma explicação.

 

Nada melhor para fazer...

 

 

            Ah, nunca fui mesmo de aprender com minhas lições, depois disso tive outros encontros, em um deles até que consegui uma companheira de 1 ou 2 semanas, não era bonita, mas pelo menos era sincera, meiga e inteligente. Não terminei com ela, mas sim o acaso, pois a mesma teve de se mudar para morar com seus pais na Hungria. Estava no Brasil somente por uma temporada, acho que poderia estar com ela até hoje se ela não tivesse se mudado e se não tivesse acontecido outras coisas em minha vida.

  Fim da busca

            Já tinha decidido parar com minhas aventuras como internauta, quando um dia estava a procurar algo para um trabalho escolar e ao vasculhar um site encontrei um link que dava para uma sala de bate papo que eu ainda não conhecia. Resolvi  então entrar um minuto  porque já tinha encontrado o que eu queria, mas estava terminando de fazer o download de uma MP3. Entrei, era uma sala de esoterismo, um bom papo, fui bem recebido, aquele é um dos poucos chats que conheço que ao entrar você é recebido com cumprimentos pelos próprios visitantes, era um chat onde entravam pessoas de todo o Brasil e logo fiz alguns amigos lá; não tinha intenção de encontrar ninguém que freqüentava o chat  porque eram pessoas de vários estados.

Eu tinha uma amiga em especial, uma que até hoje me manda alguns e-mails de piadas e coisas do gênero, uma boa garota que morava em Porto alegre, que me cativou e me fez manter presença neste chat por muito tempo, mas ela não me interessava de maneira alguma. Chegamos até a nos cumprimentar carinhosamente por “maninho”, estava tudo bem, mas alguém começou a me chamar a atenção neste chat. Andrezza. Ela era irradiante, falava com todos, era amiga de todos, ou quase todos, eu nunca tinha mantido uma conversa com ela, mas mesmo assim a admirava.

Num certo fim de semana ao entrar notei que alguém a agredia, falava coisas horríveis ao seu respeito, o nick desta pessoa era Gladiador. Eu não podia ver aquilo calado, ver que ela se defendia sozinha e que ninguém a ajudava. Onde estavam seus amigos neste momento?  Todos se calavam perante o massacre verbal daquele idiota. Foi então que eu entrei na conversa, primeiro tentando ser imparcial, mas logo percebi que o que movia aquele homem era apenas a inveja; ele invejava a Andrezza, pois dizia ser mais antigo no chat e que ela tomava todos os seus amigos. A briga durou pouco tempo com minha intervenção, eu gostava de ser educado, mas sempre soube o que dizer e na hora em que dizer e defendi com tudo que podia aquela mulher. Cheguei até a usar artifícios hackers, mas meu “inimigo” também era um profundo conhecedor da área e não se afetou, então ele sumiu, mas apareceu outras vezes no chat  sendo sempre ignorado e nada mais fez contra a Andrezza.

Depois de tudo ela ficou muito agradecida a  mim, disse que há algum tempo já me admirava, mas nunca teve a oportunidade de falar comigo, talvez por receio, pois me achava meio misterioso. No começo éramos bons amigos, pois mantínhamos muita coisa sobre nós em sigilo, como nome, idade, residência,  etc, mas era evidente que algo estava começando a brotar. Seria amor, mas como? Eu nunca sentira isto antes, eu nunca a havia  visto, nem sabia seu nome, estava me apaixonando por meras letrinhas azuis, estava me apaixonando por aquela mulher, pelo seu interior, teria que descobrir.

Mais algum tempo se passou  e já declarávamos este amor com todas as letras, mesmo sem nunca termos nos visto, revelei a minha idade e ao perceber que eu era bem jovem em relação a si própria, ela começou a rir e não acreditou, disse que se eu tinha mesmo a idade que dizia ter, minha mente estava infinitamente avançada, não só em relação a mim, mas ao ser humano em geral. E também ela revelou sua idade. Tomei uma baque ao saber que ela era tão mais velha que eu, mas nada disso me importava, eu a amava e proclamava isso em alto e bom som... Disse que sempre a amaria e estaria com ela por toda o sempre, em todos os momentos. Ela acreditou ao ouvir isso e pela primeira vez ao telefone, disse que sentiu a verdade em minha voz. Então eu decidi que a encontraria de qualquer maneira.

As reações externas foram diversas. Não a escondi de ninguém, nem da família, nem  dos amigos e as opiniões eram divergentes:  “siga teu coração, meu amigo, se é isto que você quer, vá e encontre teu amor”, “isto é loucura, você não se enxerga meu filho, ou melhor, não a enxerga”. Tudo me fez pensar, mas o que interessava era o que eu sentia, resolvi então encontrá-la de qualquer maneira...   Comprei minha passagem e fui a São Paulo.

Ela me encontraria na rodoviária, mas tive alguns contratempos durante a viagem, uma pequena  batida e  o ônibus  atrasou 3 horas do horário marcado e quando cheguei não a encontrei, ela já havia ido embora e ao me falar, depois, disse que achou  que tudo não passava de um sonho, ou de uma brincadeira de mau gosto, mas quando recebeu meu telefonema da rodoviária, sentiu-se feliz novamente e foi ao meu encontro.

Aqueles momentos foram os mais ansiosos de minha vida, estava em um lugar estranho, com pessoas estranhas, mas estava feliz, feliz por saber que logo a encontraria, queria saber se ao olhar em seus olhos meu amor permaneceria, ou veria que tudo não havia passado  de fantasia, de uma amor de internet, apenas de internet. Sabia que ficaria em sua casa por alguns dias, mas dependendo do encontro, poderia ficar como amigo ou como amante.

Ela mandou um táxi me buscar e ao chegar na porta de sua casa, lá estava ela e parecia compartilhar da mesma ansiedade.  Constatei que realmente era bem  mais velha que eu, mas acredite se quiser, estava olhando para a mulher mais linda que já havia visto em toda a minha vida, era perfeita, seu olhar, seus gestos, ah, eu amei no primeiro segundo aquele sorriso e nos abraçamos bem forte e entrei em sua casa.

Gostaria de interromper uma pouco esta narração para esclarecer algo a seu respeito:   estava há muitos anos sozinha e um homem, em sua solitária vida, seria uma mudança, uma novidade e  eu não seria mais um, e sim o único. Acreditei nisso no primeiro olhar.

Entrei então em sua casa, estava mesmo assustado, mas feliz, olhava-a insistentemente e então não resisti e beijei-a,  e... que beijo gostoso, nunca em minha vida experimentara tamanho êxtase, foi o ápice da minha existência até então. Deixei-a no sofá e fui tomar um banho. Voltei, almoçamos e ficamos a conversar por horas, depois disse a ela que ia dormir, pois a viagem durante a noite  fora penosa e não tinha pregado os olhos hora nenhuma.

Fui deitar e então surgiu a pergunta

        Onde vou dormir?

        Onde quiser -  ela disse

                            

            Estava então excitado com a situação, já havia trocado palavras “calientes” com ela, mas agora era tudo diferente, então deitei em sua cama, no princípio estava de roupa, ela deitou-se comigo e a situação leva ao acaso, como você deve ter imaginado logo eu estava sem roupas e fazendo amor. Eu não era virgem, mas era tudo tão novo para mim, tão gostoso, sentia como se estivesse no nirvana, estávamos representando uma cena de amor entre deuses, foi a coisa mais gostosa da minha vida e depois disso só acordamos no outro dia, estava eu nu com a mulher da minha vida ao meu lado, era finalmente um homem feliz. Olhava-a e confirmava para mim tudo que lhe havia dito antes, era a mulher da minha vida, minha deusa, e me dedicaria totalmente a ela, seríamos um só, como Adão e Eva no paraíso.

            Ao acordarmos nos beijamos e passamos estes dias com muito amor e cumplicidade Eu a amava e era retribuído. Fui embora, tinha de voltar a Goiânia, o carnaval acabara, passei então a amar aquela música dos Engenheiros do Hawai, “estou me guardando pra quando o carnaval chegar...” dei até um CD do grupo para ela, tempos depois. E aí ficamos a nos falar pelo telefone todos os dias, isso mesmo! Nunca ficamos um dia sem nos falarmos e trocar palavras de amor, claro que como em todo relacionamento nós também tínhamos nossas brigas, mas sempre o amor sobressaia. Voltei então à sua casa mais duas vezes desde então. Nos amamos espiritualmente e fisicamente, cada vez com mais intensidade, eu era o  seu homem e agia como tal. Fizemos amor muitas vezes, eu adorava ver seu lindo rosto delirar em um momento de êxtase, seu corpo gemer de prazer e explodir junto ao meu que ela explorava minuciosamente descobrindo todos os pontos de prazer. Ela dizia que eu era o homem ideal, inteligente, gentil e... estuprador; compreensivo e machista, sabia fazer-me homem, fazendo-a sentir mulher como nunca sentira  antes,  que eu sabia conciliar meu anjo com meu demônio. Sim, Andrezza era feliz e eu fazia sempre o possível para que isso continuasse, a conquistava sempre, isso mesmo, era uma eterna conquista.  Lembro-me que uma vez ela estava zangada comigo, eu deitei na cama e ela permanecia  em pé, perto da janela do quarto. Então eu disse: “Vem para os braços do teu macho, mulher”. Ela veio, fizemos amor e me disse que nunca alguém havia dito algo não marcante para ela.

            Muito tempo passou, nos amamos muito, mas até agora escrevi este conto como tudo isso fosse apenas passado; acho melhor então mudar, ainda a amo e estou com  ela, sempre que posso a vejo, e nos amamos e nos falamos todos os dias pelo telefone. Dei um site de presente para minha querida que é escritora, o http://www.minhapoeta.com e lá temos muitos amigos que  nos escrevem mandando também seus contos, poesias e crônicas. Não entramos mais no chat do esoterismo, mas aquele pedacinho de internet vai estar para sempre em nossa memória e tenho certeza que nossos amigos nunca nos esquecerão, pois também não os esqueceremos. Ainda recebo às vezes alguns e-mails da Gabriela e ela, de seus amigos e assim vamos levando a vida, nos amando e com promessas de algo eterno e divino, nada de preconceito, só amor e felicidade, e se o mundo é contra nós, então criamos nosso próprio mundo, onde tudo é possível, até amar verdadeiramente e sem antigas regras preconcebidas.

        Não sei qual foi  a  sua idéia ao terminar de ler este conto, mas quero apenas que saiba que o amor é possível, enfrente, esqueças os preconceitos, enfrente a vida e  pode ter certeza que o amor vale a pena. Lembre-se de mim e de minha mulher, um amor infinito, o amor puro e que será eterno, não me interessa o que os outros pensem e é assim que eu a amo, que a vejo como a mulher mais linda do mundo, mais perfeita, mais inteligente, tudo que um homem pode procurar em uma mulher e, diga-se de passagem, é também a mais deliciosa e excitante que eu conheço.  Eu a  terei e viverei muito ainda com ela, sei que este não é um amor que começou nesta vida e nem vai terminar aqui. É um amor eterno, um amor verdadeiro e tenho certeza que a encontrarei em outras vidas. Somos duas almas em uma só e não interessa se a encontrarei novamente como negra, gorda, aleijada,  ou até mesmo se ela será um homem. Não sou homossexual, muito pelo contrário, prezo muito minha masculinidade, mas acho até que se ela fosse um homem, seria assim mesmo minha paixão, pois eu me amo. Ela sou eu, somos juntos o ser mais feliz do universo e queremos que o mundo acompanhe esta felicidade e que um dia todos consigam ver em algum de seus semelhantes o amor divino, que encontre em si próprio o seu próximo e possa dizer com todas as letras como eu digo...

                                                                                        ...eu amo você e amarei para sempre