Voto Obrigatório

 

                                                      

                                                         MaristelDiasdosSantos                                         

Houve um tempo em que era Deus quem escolhia os governantes.

Tinha no profeta o seu porta-voz (recorde a história de Davi).

Escolhido era o homem probo, o sábio, o bom, o justo.

Seus poderes eram incontestes, pois emanavam da fonte

Que governa o universo. Com o passar dos tempos

Proliferaram falsos profetas. Não sei muito bem por quê,

Só sei que Deus desistiu de enviar os verdadeiros

E o homem oportunista, de brilhante idéia, anunciou:

__ “A voz do povo é a voz de Deus!”  

Sábio Deus... Renunciou...

 

 E o  homem deu a todo homem um título eleitoral

Único documento que o cartório dá de graça.

Fizeram a lei que obriga qualquer  um a votar,

Escolher seus governantes a troco de dentaduras,

(primeiro a de cima, depois a de baixo).

Sapatos ímpares, (um pé antes, outro depois).

Cesta básica ou caixões de defunto...

E, assim, aprendeu o espertinho,

Com um punhadinho de milho, o burro à cocheira levar...

E a “voz de Deus”   virou...  relinchar de muar

 

Ah! Ser insensato, se ainda tempo for...

Prostra-te ao solo divino e implora o perdão do Pai.

Governar é função sagrada, é renúncia, é paixão,

É sacrifício, é dever, é carma, é obrigação.

Que vaidades podes ter, se o que aí te alça,

É a miséria humana, a ignorância, a desgraça?

Até quando irás poder controlar a voz de DEUS?