O
que lemos... Quase sempre...
Nós
que escrevemos e até comentamos
Sobre
o pouco que entendemos
Nós que assinamos jornais e revistas,
Nós
que nos preocupamos com noticiários
Nós
que temos e abrimos o dicionário
Em outras línguas até, temos algum.
Questionamos o latim e o esperanto,
Entendemos um pouquinho do francês
Discutimos metafísica e cibernética
Problemas da mente e do coração,
Sentido da vida e da atração,
Da
divisão do átomo,
Da lógica da matemática.
Nós
que acreditamos na lua conquistada
Que
estudamos astros e gramática
E
desprezamos a superstição
Não
sabíamos que tanta gente há
Que sabe muito bem ler as palavras,
Sabe escrever o nome,
Gente
alfabetizada
Aprendeu a ler,
mas não a entender!
Gente
totalmente alheia e alienada
Que lê, como se lesse grego ou aramaico.
Gente que não pode amar a Pátria,
Pois
a Pátria é o idioma, é a palavra.
Gente
sem história e sem cerimônia
Nada
sabe de siglas ou de concordância.
Deus
meu... triste é perceber
O
quanto está distante o meu irmão
Sob
o mesmo sol, o mesmo céu,
Mas
em impiedosa solidão
Ou
talvez em piedosa escuridão.
Gente melhor e sem fazer escarcéu
Só aos instintos obedece:
Sobrevivência...
Procriação...
Só
das necessidades básicas carece:
Sede,
fome, arroz, feijão...
Só
nos sentimentos primários acontece:
Desejo,
amor, libido e paixão.
A
coisa simples e pura lhes serve
Norteia
seu destino, dirige seus atos.
São
felizes, cantam, dançam e riem!
E
nós não compreendemos essa felicidade
Como
podem ser felizes?!
Se
do mundo moderno e tecnológico
Tão
pouco conhecem e entendem
Teste
comparativo ou analógico,
Complexos
temas da ciência,
Do
saber douto, do intelecto,
Da
cultura erudita e complicada
E,
apesar de tudo, são felizes!
E
ser como eles são eu almejo
Porque
ignoram o quanto ignoram
Por
isso são felizes e eu... Os invejo.
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